SIMÔNIDES

Havia, certa feita, um poderoso rei chamado Escopas. Seu reino era o da Tessália e não havia ninguém audaz o bastante para contestar o seu poder. Riquezas choviam dia e noite sobre sua cabeça, potentados de reinos vizinhos vinham quase todos os dias prestar-lhe vassalagem, e ainda assim isto não era o bastante para ele sentir-se completa, suficiente e absolutamente feliz.
“O que falta ainda?”, perguntava-se todos os dias Escopas. Um dia, entretanto, escutando a música que saía da lira de Simônides, príncipe dos poetas de toda a Grécia, Escopas compreendeu tudo:

– É isto: um poema épico! – disse ele, dando um pulo de alegria. Imediatamente mandou chamar o poeta.
– Simônides, príncipe dos poetas! – disse o rei, ao vê-lo. – Quero que componha para mim um magnífico poema, que celebre em versos inesquecíveis as minhas gloriosas e inexcedíveis façanhas. Quero que seja de tal forma extraordinário que seja cantado e repetido por todas as gerações futuras. É capaz disto, por certo?
– Sem dúvida, poderoso rei! – disse Simônides, já elaborando mentalmente os primeiros versos da imensa epopéia. Seria uma longa peregrinação, que abarcaria desde os feitos gloriosos dos mais antigos ancestrais do rei, entremeada de muitas digressões, que, por comparação, somente elevariam o mérito do homenageado, até chegar ao cerne do poema, um longo e exaltado canto que ergueria até as nuvens as virtudes e méritos do maravilhoso rei.
Simônides, entretanto, consumiu o cérebro durante um ano inteiro para achar alguma virtude naquele amontoado de crimes e barbáries que era a história dos antepassados do rei.
Ambição, inveja, ciúmes, assassínios, estupros, parricídios – havia de tudo naquelas antigas crônicas, menos um feito justo e humano, por mais singelo que fosse, para ser narrado. Mas graças ao seu talento superior conseguiu transformar em beleza todas aquelas selvagens atrocidades.
No dia aprazado para a primeira audição de seu maravilhoso poema, estavam reunidos, enfim, num imenso salão, o rei e toda a sua corte. O tirano Escopas, refestelado em seu trono, sentia um friozinho agradável no estômago. Um gongo soou e o poeta maravilhoso adentrou o recinto sob uma chuva calorosa de aplausos.
– Escopas, poderoso rei da Tessália, temido e amado pelos súditos e pelos reis de toda a Grécia! – disse Simônides, alteando a voz. – Aqui está o produto do meu suado labor, que não tem outro fim senão o de contar em versos perfeitos a trama sublime que as Moiras divinas teceram para compor o tapete glorioso de vossa vida!
Tão logo os aplausos silenciaram, Simônides deu início à leitura da sua maravilhosa epopéia. Todos os circunstantes bebiam suas palavras como quem sorve um saboroso vinho, até que o poeta entrou numa vereda do seu poema, uma longa divagação acerca dos irmãos Castor e Pólux, exaltando as suas virtudes guerreiras, mas que pouco tinham, na verdade, a ver com as do homenageado.
Tais divagações não eram raras no poeta, e seria de se supor que um mortal comum se sentisse feliz em ver-se comparado aos dois famosos filhos de Leda. A vaidade do rei, porém, não admitia comparações, mesmo com os filhos de um deus.
Escopas, sentado à mesa de banquete, entre seus cortesãos e aduladores, resmungava insatisfeito:
– Que têm a ver as proezas dos gêmeos com as minhas?
Simônides, entretanto, entregue à recitação da comprida ode, continuava, imperturbável, a exaltar os feitos sublimes dos Dióscuros.
A leitura do poema estendeu-se, ainda, por longo tempo, até que finalmente o poeta pôs um ponto final na brilhante epopéia. Os aplausos espocaram, entusiásticos, por todo o salão, mas ficara bem evidente a todos – em especial, ao próprio rei – que Castor e Pólux saíam da declamação muito mais exaltados e glorificados do que ele, objeto primeiro da homenagem.
Era hora, agora, do rei ofertar ao poeta a sua prometida paga. Simônides, ainda ofegante da longa recitação, aproximou-se reverentemente do trono do rei, que havia aberto o seu baú de riquezas. Para sua surpresa, entretanto, Simônides viu o rei lhe entregar apenas a metade do conteúdo, ficando com o baú e a outra metade para si próprio.
– Aqui está o pagamento pela minha parte na sua obra – disse Escopas, com um sorriso irado no rosto. – Castor e Pólux, sem dúvida, pagarão pela parte que lhes diz respeito.
Uma gargalhada feroz e ululante estourou em todo o recinto, fazendo com que o poeta, corado e humilhado, retornasse cabisbaixo ao seu lugar.
Durante o resto da noite Simônides esteve assim, abatido e envergonhado, e por onde quer que andasse escutava sempre pelas costas risinhos fungados de deboche. Ninguém ousou fazer-lhe qualquer elogio, com medo de que a imprudência pudesse chegar aos ouvidos do rei insatisfeito.
Assim estava perambulando o poeta pelos corredores do palácio quando viu um lacaio se aproximar e lhe dizer:
– Senhor, há dois homens lá fora, a cavalo, que desejam lhe falar com toda a urgência.
– Quem são e o que desejam de minha pessoa? – indagou Simônides.
– Não se identificaram, senhor – disse o lacaio -, mas disseram que a sua vida depende de ir procurá-los, e a toda pressa.
Simônides saiu para os jardins, mas não encontrou ninguém à sua espera.
– Estranho… – disse o poeta, pensativo. – Estarão alguns gaiatos armando outra brincadeira para me ridicularizar ainda mais?
Simônides estava já regressando ao palácio quando escutou um ruído terrível partir lá de dentro. Diante de seus olhos viu a cúpula do palácio ruir inteira para dentro de onde estava situado o salão de banquetes – lugar onde estivera há questão de apenas alguns segundos.
Quando chegou lá, encontrou tudo em ruínas e, em meio aos destroços, o corpo dilacerado e esmagado do vaidoso Escopas. Entre os seus dentes havia uma moeda – o óbolo dos mortos – e junto dele estava o seu baú, inteiramente vazio. Em volta dele jaziam os corpos de todos os demais convidados, sepultados sob pilhas de escombros ensangüentados. Ao se informar sobre a aparência dos jovens que o haviam procurado, Simônides não teve dúvida nenhuma de que não eram outros senão os próprios Castor e Pólux, que tinham vindo para receber do rei a sua parte.

A ESTRELA



Querida, amada estrela!
Que toda a noite vejo a brilhar.
Tu, onde quer que eu esteja,
A minha vida sempre irá testemunhar.
Contigo compartilho minha existência,
Minhas lutas, minhas dores e amores.
Tu, impassível, serena, benfazeja,
Nada diz, apenas segues a brilhar.
Querida, amada e única amiga!
Sabes do meu sofrer, dos meus rancores?
Essa vida passageira, que nada preserva,
Faz-nos passageiros, eternos desconhecidos;
Mas, o homem, tolo e ingênuo,
Vive a vida a tentar se eternizar.
Tu, ó bela estrelinha! Tu sabes:
Apenas os deuses são eternos
 E todos os seres desta terra irão morrer…
Porque então ainda brilhas assim, tão inutilmente,
Alegrando e trazendo beleza a este pálido ponto azul?…
Sinto-me pequeno, inútil ante ti.
Mas tu, a brilhar e prosperar
Me conforta com tua luz:
De ti sou feito,
Filho teu sou;
E, após morrer,
Em ti me converto,
Assim como todo ser que por aqui passou.

AFINAL, O QUE É INTELIGÊNCIA?

Isaac-Asimov-007

Texto escrito originalmente por Isaac Asimov.

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.
A média era 100.
Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.
(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)
Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.
Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.
No fim, ele sempre consertava meu carro.
Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.
Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.
Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.
A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.
Ele adorava contar piadas.
Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:
“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”
Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.
“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”
Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:
“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
Tradução feita por Update or DieOriginal: What Is Intelligence, Anyway?.

NATUREZA

A violenta natureza,
Insensível, extremamente bela!
Um destino maior, previamente estabelecido,
Comandado pela perfeição
Pelo inefável, pelo desconhecido.
E os homens?
Ah, os homens!
Eles seguem sozinhos, perdidos,
Cegos; tateando o escuro,
Alheios ao bem maior.
Que a natureza lhe guie
E que a sua própria natureza desperte-o,
Fazendo-o novamente brilhar 
E novamente ser guiado,
Ao invés de se guiar.

SERÁ QUE A NOSSA ARTE CORRESPONDE AOS DESAFIOS DE NOSSO TEMPO?

Anthony Oliver Scott e um grupo de artistas conversam sobre se e como artistas falam sobre questões sociais e raciais em seus trabalhos. O presente texto é de autoria de Scotta discussão está aqui.
Desde a crise financeira de 2008, Eu tenho esperado por “As vinhas da Ira”. Ou talvez “O Sol tornará a brilhar”, “A morte do caixeiro viajante”, algum romance do Zola ou uma balada de Woody Guthrie – alguma arte que fale sobre as injustiças e preocupações dos nossos tempos e ponha algo de humano nos desenrolares impessoais da história. Os originais ainda estão por aí, disponíveis para serem revividos e redescobertos, parte de uma obra robusta e artística dos difíceis tempos já passados. Mas nós estamos no meio desses tempos difíceis agora e parece que a arte está nos faltando.

Há alguns poucos anos, como outras pessoas, tenho andado preocupado – às vezes ao ponto de estar obcecado, sem dormir, num pavor profundo e em completo desespero – pelo estado econômico do mundo. Gasto mais tempo do que o saudável refletindo sobre o mercado de trabalho global, o salário-mínimo, o aumento da desigualdade, a classe média que está entrando em colapso, Thomas Piketty, Janet Yellen e o PIB de China, Índia e Brasil. Perto de casa, me sinto grato pela minha sorte e preocupado com meus vizinhos, preocupado quanto ao aspecto geral de meus filhos e pelas fronteiras que dividem minha cidade e país.
Estritamente falando, nada disso tem muito a ver com a minha área de especialização profissional, que poderia ser definida razoavelmente como escrever sobre o que as pessoas buscam para escapar de preocupações e ansiedades pessoais. Arte séria e entretenimento popular, em suas mais diversas maneiras, oferecem refúgio e distração. O prazer e conforto que elas proporcionam não são triviais, mas, sim, essenciais. A arte é o domínio dos problemas resolvidos, mesmo se esses problemas forem materiais e as soluções, artificiais.
Mas se a arte, teoricamente, está livre da realidade cruel do trabalho, do necessário e do palpável, a realidade é, no entanto, seu estado bruto e seu contexto. Intencionalmente ou não, artistas, à sua própria maneira, desenham e refazem os fatos da vida que os cerca e a obra resultante tem seu lugar entre esses fatos. O que eu estou chamando, abstrata e grandiosamente, de arte são, na verdade, livros, canções, filmes, jogos, séries de televisão, pinturas, operas e qualquer outra coisa que caia no mercado chamado “cultura”. Os bons são comprados e vendidos, quer seja como objetos físicos, tempo de apreciação ou artefatos digitais. Fazê-los requer trabalho, dinheiro e um mercado que os distribua. O dinheiro pode vir de fundações, do Kickstarter, vendas de varejo ou receitas de publicidade. O comércio entre artista e público é quebrado pela tradicional indústria cultural (editoras, redes de televisão, gravadoras e estúdios de cinema) e também pelas novatas intrometidas como Amazon, Netflix, Google e iTunes. Mas o sistema como um todo, do topo à base, da casa de ópera estadunidense Metropolitan Opera House ao artista de rua do metrô embaixo de suas instalações, não foge da dinâmica que envolve o capital econômico.
E essa economia, por sua vez, define e descarta o que será considerado importante. Ainda que eu respeite os esforços de economistas e sociólogos para explicar o mundo à nossa volta e o empenho de políticos para mudá-lo, devo dizer que confio mais em artistas e escritores. Não necessariamente pelo seu senso ou de justiça ou infalibilidade, ou ainda pela consistência e coerência que venham a apresentar, não por instruir ou por advogar, mas sim pela honestidade e disciplina que possuem para trazer algo novo, para falar a verdade.
Se eu quiser entender os sonhos dos nobres ou os pesadelos dos pobres no começo do século XIX na Inglaterra, me voltarei para Jane Austen e William Blake. O que havia de novo sobre divisões de classe em Paris e Londres pouco mais tarde pode ser encontrado nas páginas de Balzac, Dickens e Zola. A história da Europa, do Renascimento à Primeira Guerra Mundial é, em larga escala, uma história de poder, riqueza e status social. No século XX, filmes, teatro e televisão contam a mesma história: comédia, tragédia, thrillers e farsas. As classes na grande depressão Hollywood foram retratadas desde aventuras com smokings e casacos de pele nas coberturas de Manhattan a manifestações de grevistas. A Broadway do pós-guerra era o reino de Willy Loman e Stanley Kowalski, e a televisão se tornou uma fixação nas casas de classes média, narrando as lutas e aspirações dessas famílias – Os Kramdens, os Conners, os Jeffersons, os Simpsons – tentando alcançar ou manter o status de classe média.
E agora? Devemos procurar pelo que está no alto ou no baixo? Nas sitcoms, ficções científicas com alegorias implícitas ou nos dramas realistas? Em filmes como “Expresso do amanhã”, em que um trem cruza uma paisagem congelada e apocalíptica, um microcosmo da desigualdade global? Na série de televisão “Black-ish”, que discute as contradições entre a mobilidade ascendente numa indecisa América não pós-racial? Em minhas constatações aqui citadas, tenho tentado encontrar uma intersecção contemporânea entre cultura, classes, trabalho e dinheiro. No ano passado e na metade do anterior, escrevi sobre como filmes como “O Grande Gatsby”, “Sem dor, sem ganho” e “Spring Breakers – Garotas perigosas” refletem a nossa ambivalência sobre riqueza e materialismo; sobre como Leonardo DiCaprio se tornou a estrela que personifica essa ambivalência, a gentrificação do Brooklyn, o declínio do culto ao medíocre, a contradição entre o status de trabalho criativo e as condições da classe trabalhadora nos filmes de Jean-Pierre e Luc Dardenne.
Mas eu quero ir além. Quero saber mais sobre a política econômica da arte no presente momento, para pensar sobre como artistas são afetados pelas mudanças de distribuição de renda e definições de trabalho, como o trabalho deles retrata essa mudança. Então decidi perguntar a eles.
Nesse outono, enviei um apelo, seguido por um questionário. Minha intenção era conduzir uma pequena pesquisa sem respaldo científico, mas também avançar numa discussão sobre o que a arte tem feito e deveria fazer nesse momento de impasse político, tensão racial e crise econômica, o que ao mesmo tempo se assemelha a momentos anteriores da história, mas também possui características próprias, intrínsecas ao seu tempo. Minhas questões eram simples e não possuíam nada de novo. A responsabilidade social da arte tem sido tópico de debate desde tempos muito antigos. Mas as respostas que me retornaram – dramaturgos, cineastas, rappers, poetas, contadores de histórias que vêm confrontando diretamente essas questões – testificam a complexidade e urgência que essas perguntas trazem em si. As ideias discutidas – largamente compartilhadas por e-mail, editadas e condensadas para serem postadas aqui – transmitem o senso de uma conversa que sempre há quando artistas e público discutem a relação entre arte e mundo. Tenho esperanças de que o que esses artistas têm a dizer provoque reações de outros artistas, telespectadores e ouvintes.

TEMPORAL

Chuvas, chuvas torrenciais!
Que invadem, que ferem a terra.
Raios e trovões, por todo canto.
Na grama e nos lamaçais
 O homem, que pisa na divindade materna,
Ante o espetáculo, admira e teme:
Sabe ele que nada foi e que nada é
Abaixo ou acima deste manto.
Seu silêncio, seu temor e sua admiração
Pelos elementos que brandam e gemem,
Atestam a grandiosidade
De algo superior, poderoso,
Que reside na eternidade.

TUA DOCE LEMBRANÇA



Acharemos algum dia Deus?
Não sei, você pode não saber, talvez nunca saibamos.
Mas, de uma coisa eu sei: sinto-o constantemente,
Por breves momentos, brevíssimos momentos,
Onde sou banhado completamente pela totalidade,
Tornando-me um com o todo.
Então sinto-me os animais, a natureza, o sofredores,
Os homens, as estrelas, o universo, Deus…
Mas, então tua luz me cega, e volto a escuridão.
Tu se foi e eu novamente me perco,
Eu novamente volto a esta realidade.
Tua doce lembrança aos poucos se apaga
Mas minha alma de ti recorda, deseja.
Pois aquele que descobre o amor e a bondade
Nunca mais volta a mediocridade.